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Pluggy Open Finance com Bruno Loyola e Guilherme Passoni

3 de setembro de 2026 · 48min56s

Sobre o episódio

Como o acesso aos dados financeiros muda o trabalho de quem acompanha o orçamento, os objetivos e os hábitos de uma família?

Felipe recebe Bruno Loyola, cofundador da Pluggy, e Guilherme Passoni, responsável por marketing e comunicação, para conversar sobre a infraestrutura que conecta instituições financeiras a soluções como a Rica. O ponto de partida é o planejador independente: um profissional que precisa transformar informações de diferentes contas em acompanhamento, decisões e execução.

A conversa passa pela origem da Pluggy, pela experiência de Bruno com Open Banking na Europa e pelo encontro entre dados, inteligência artificial e ciências comportamentais. Na segunda metade, o episódio explora iniciação de pagamentos, transferências inteligentes e a possibilidade de organizar a vida financeira sem depender da experiência oferecida pelo aplicativo de cada banco.

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Capítulos

TempoCapítulo
00:00O planejador independente e a automação dos dados
05:39A trajetória de Bruno e a origem da Pluggy
08:04Open Finance e o compartilhamento de informações
12:49IA e acompanhamento financeiro no dia a dia
18:11Hábitos, notificações e independência do planejador
22:46Crédito com propósito e o exemplo da Meu Financeiro Azul
27:52A separação entre custódia e experiência financeira
34:24A evolução dos dados e do ecossistema
37:12Iniciação de pagamentos e transferências inteligentes
39:05Orçamento, objetivos e automação
41:36Consentimento e diferentes formas de usar o Pix
44:40Comunicação, segurança e confiança
47:24Construção em conjunto e encerramento

Transcrição organizada em capítulos

Esta é uma versão editada e condensada da transcrição, organizada na ordem da conversa. Repetições e interrupções foram reduzidas, preservando os argumentos e exemplos dos participantes. A transcrição completa está disponível para download; passagens cuja redação não pôde ser confirmada estão sinalizadas no arquivo.

O planejador independente e a automação dos dados

00:00–05:39

Felipe apresenta o trabalho do planejador financeiro independente: ouvir uma pessoa ou família, compreender sua situação e ajudar a construir uma direção financeira. O acompanhamento do orçamento é uma parte importante dessa jornada, mas depende de reunir e organizar informações que costumam estar espalhadas entre contas, cartões e outras instituições.

Quando esse trabalho exige conciliação manual de extratos e planilhas, a capacidade de atendimento fica limitada pelo tempo do profissional. Felipe usa o contraste entre atendimentos de R$ 5 mil e de R$ 300 para ilustrar a dificuldade de tornar um serviço artesanal acessível a diferentes públicos. A automação da leitura dos dados pode reduzir esse esforço e permitir que o planejador dedique mais atenção ao cliente.

Nesse contexto, a Pluggy fornece a infraestrutura de conexão e a Rica organiza as informações para o trabalho profissional. Felipe descreve a Rica como um sistema operacional para o planejador, reunindo orçamento, categorização, movimentações, investimentos, dívidas e análises. O cliente chega ao Open Finance por meio dessa combinação entre profissional, plataforma e infraestrutura.

A apresentação termina com uma conexão pessoal: Felipe conta como descobriu a passagem de Bruno pela Universidade Federal de São Carlos e a relação de ambos com a professora Sandra Abib.

A trajetória de Bruno e a origem da Pluggy

05:39–08:04

Bruno conta que começou a trabalhar com Open Banking na Europa em 2017, depois de ir ao exterior para fazer um MBA. Passou tanto por empresas de infraestrutura quanto por soluções que utilizavam dados para gestão financeira pessoal.

Ao conhecer as propostas de compartilhamento de informações no Reino Unido, enxergou uma oportunidade para o Brasil. Na avaliação dele, problemas como concentração bancária, falta de visibilidade e dificuldade de acesso a serviços adequados eram ainda mais relevantes no mercado brasileiro.

Essa experiência aproximou Bruno das soluções de gestão financeira e do potencial de transformar dados em benefícios para as pessoas. Ele apresenta a Pluggy, criada em 2020, como uma forma de oferecer essa infraestrutura a empresas que desenvolvem experiências para seus próprios públicos.

Open Finance e o compartilhamento de informações

08:04–12:49

Bruno relaciona a origem do Open Banking no Reino Unido à busca por mais competição no mercado financeiro. A ideia central era permitir que uma pessoa compartilhasse suas informações com outras instituições, reduzindo a dependência do banco que concentrava seu histórico.

Ao trazer a conversa para a Pluggy, ele relembra a aproximação com os sócios em 2019 e a participação no LIFT, programa de inovação ligado ao Banco Central. Esse contato ajudou a empresa a discutir possibilidades com o regulador e a transformar a oportunidade em um negócio.

A premissa descrita por Bruno é devolver o controle do dado a quem ele pertence. Se apenas uma instituição conhece a movimentação de um cliente, outras empresas têm menos condições de compreender suas necessidades. O compartilhamento permite que esse histórico seja utilizado em novas experiências e serviços.

Entre os casos de uso, Bruno destaca a gestão financeira pessoal. Ele também relata sua própria experiência com um planejador: apesar de trabalhar no setor, o acompanhamento profissional o ajudou a enxergar hábitos, organizar prioridades e pensar em objetivos futuros. Para ele, o valor aparece quando a informação se transforma em mais clareza e bem-estar financeiro.

IA e acompanhamento financeiro no dia a dia

12:49–18:11

Felipe observa que a facilidade de desenvolver software com apoio de inteligência artificial amplia as possibilidades abertas pelo Open Finance. Ele cita um planejador que constrói painéis para os próprios clientes mesmo sem ter formação em programação. A ferramenta pode ser criada mais rapidamente, mas continua dependendo de dados disponíveis e organizados.

Na Rica, Felipe relaciona esse avanço ao acompanhamento de comportamentos. Em vez de descobrir apenas no fim do mês que uma categoria de despesa ultrapassou o combinado, o profissional pode acompanhar a evolução durante o período e trabalhar avisos, incentivos e intervenções.

O exemplo da conversa é uma meta mensal de R$ 5 mil para roupas, com R$ 4 mil já gastos. O histórico ajuda a definir uma referência que faça sentido para aquele cliente; as novas movimentações permitem acompanhar o plano e identificar o momento de conversar sobre um hábito.

Felipe ressalta que a necessidade de organização aparece em diferentes faixas de renda. Clientes com muitas contas e grande volume de transações também podem ter dificuldade para enxergar o conjunto. Ele cita situações com mais de 1.500 transações mensais para mostrar por que a leitura manual pode se tornar inviável.

Hábitos, notificações e independência do planejador

18:11–22:46

Bruno destaca que um relatório com gráficos, sozinho, nem sempre muda o comportamento. A informação precisa chegar em um momento no qual a pessoa ainda pode tomar uma decisão diferente.

Ele usa o exemplo de alguém que quer gastar R$ 150 para sair e comer fora. Um acompanhamento contextual poderia mostrar que o orçamento dessa categoria já foi consumido e relacionar a decisão a outro objetivo, como uma viagem de férias. A proposta é tornar a escolha mais consciente, conectando o gasto de hoje ao que a pessoa deseja realizar depois.

A independência do profissional também ganha destaque. Bruno compara o incentivo de um cartão a gastar mais para acumular pontos com a possibilidade de um planejador perguntar se aquela despesa ajuda, de fato, o cliente a alcançar o que quer. O acompanhamento pode colocar os objetivos da pessoa no centro da conversa.

Para os participantes, o Open Finance reduz o esforço de reunir os dados que sustentam esse trabalho. O planejador acrescenta interpretação, contexto e acompanhamento à informação automatizada.

Crédito com propósito e o exemplo da Meu Financeiro Azul

22:46–27:52

Felipe propõe a ideia de produtos financeiros cujo sucesso acompanhe o sucesso do cliente. Ele compara essa intenção à de marcas que se apresentam a partir do benefício que pretendem oferecer ao consumidor e pergunta como o mesmo raciocínio pode orientar crédito, cartões e outros serviços.

Como exemplo, retoma a conversa com Lucimara Borges, da Meu Financeiro Azul. A possibilidade de parcelar um boleto passa a fazer parte de um planejamento acompanhado por um profissional, que avalia a simulação e a capacidade do cliente de cumprir o compromisso.

O ponto central é olhar além da taxa isolada. Com acesso ao histórico e às movimentações, o planejador pode relacionar a operação ao orçamento e aos objetivos daquela pessoa. A intenção descrita é evitar que uma solução pontual se transforme em uma sequência de novas dívidas.

Felipe encerra o trecho perguntando o que ainda pode surgir a partir da infraestrutura já disponível e quais possibilidades a Pluggy enxerga para os próximos anos.

A separação entre custódia e experiência financeira

27:52–34:24

Bruno organiza sua visão sobre o futuro dos bancos em três funções: guardar dinheiro, movimentá-lo e aproximar quem tem recursos de quem precisa deles. Ele relaciona a evolução dessas funções à confiança em diferentes instituições, à facilidade de movimentação com Pix e à circulação de informações pelo Open Finance.

Na visão apresentada, o cliente pode continuar mantendo dinheiro em um banco e utilizar outra aplicação para consultar, organizar e movimentar sua vida financeira. A instituição que guarda os recursos não precisa ser a única responsável pela experiência cotidiana.

Bruno imagina essa experiência em agentes de IA e em plataformas como a Rica, onde já existe contexto sobre orçamento, histórico e objetivos. Um serviço que conhece o plano de viagem do cliente, por exemplo, pode oferecer uma orientação diferente da simples ampliação do limite do cartão.

A conversa também recupera o papel do GuiaBolso como uma iniciativa anterior de organização financeira. Bruno avalia que a combinação atual de dados, tecnologia e capacidade de movimentar recursos amplia as condições para novas experiências.

A evolução dos dados e do ecossistema

34:24–37:12

Felipe comenta as melhorias que percebeu desde o início da conexão da Rica com a Pluggy, tanto na qualidade das informações quanto na cobertura de instituições. Bruno explica que essa evolução envolve o ecossistema de Open Finance e o trabalho das equipes de produto e tecnologia.

Mesmo quando existe um formato padronizado, ainda há diferenças que precisam ser tratadas para que as aplicações recebam informações úteis. Bruno menciona normalização, categorização e enriquecimento dos dados como parte desse trabalho.

Ele também descreve a importância do retorno de quem está na ponta. As necessidades observadas por planejadores e clientes ajudam a indicar quais dados devem receber atenção. Na conversa, a previdência aparece como exemplo de informação relevante para ampliar o escopo de análise do profissional.

Iniciação de pagamentos e transferências inteligentes

37:12–39:05

Bruno amplia o assunto para além da consulta de dados. Ele explica que a atuação da Pluggy como iniciadora de transação de pagamento permite construir experiências de movimentação financeira a partir de outras aplicações, dentro dos fluxos de autorização correspondentes.

Um exemplo é iniciar um Pix a partir de uma plataforma que já conhece a necessidade do cliente. Outro é automatizar transferências entre contas de mesma titularidade, a partir de condições previamente definidas.

A conversa cita a Acorns e a ideia de arredondar despesas: em um gasto de R$ 18, por exemplo, os R$ 2 de diferença até o próximo valor de referência podem ser destinados a uma conta de investimento. Bruno usa o caso para explicar como pequenas movimentações podem apoiar a formação de reservas e a automação do dinheiro.

Orçamento, objetivos e automação

39:05–41:36

Felipe aproxima essas possibilidades da rotina do planejador. Se o cliente já definiu quanto deve investir quando o salário cair, uma automação pode ajudar a executar o combinado sem depender de uma nova decisão a cada mês.

O desafio aumenta quando existem várias contas, contratos e compromissos. Ao reunir as informações, o profissional pode compreender a dinâmica do cliente e atribuir uma finalidade aos recursos, relacionando despesas e investimentos aos objetivos construídos no atendimento.

Felipe menciona abordagens como pagar-se primeiro e dar um destino ao dinheiro no orçamento. Durante a gravação, ele esclarece que a Rica ainda não explorava essas possibilidades de iniciação de pagamentos, embora já houvesse interesse dos planejadores. O trecho apresenta oportunidades de evolução da plataforma, e não a confirmação de uma função já disponível nela.

Consentimento e diferentes formas de usar o Pix

41:36–44:40

Bruno explica que os fluxos de consentimento para pagamentos são separados dos de compartilhamento de dados, embora possam ter uma experiência semelhante para o usuário. Dependendo do modelo, a pessoa é direcionada ao aplicativo do banco para autorizar a operação e depois retorna à aplicação de origem.

Ele diferencia exemplos de pagamento único, Pix automático, agendamento e transferências inteligentes. No caso das transferências entre contas próprias, descreve uma autorização prévia que permite executar movimentações de acordo com a regra definida.

Uma das situações apresentadas é acompanhar o saldo de uma conta e cobri-lo com recursos de outra quando ele ficar negativo. Outra é separar dinheiro para cartão, despesas da casa e diferentes objetivos. O interesse do planejador está em conectar essa capacidade de execução ao plano financeiro do cliente.

Bruno resume sua visão com a ideia de realizar serviços bancários em diferentes lugares, sem que toda a experiência precise acontecer dentro de um banco.

Comunicação, segurança e confiança

44:40–47:24

Guilherme explica que um dos principais desafios de comunicação da Pluggy é reduzir as desconfianças em relação ao Open Finance. Ele distingue dois públicos: os profissionais e empresas que constroem soluções, e as pessoas que utilizarão essas soluções no dia a dia.

O trabalho inclui tornar a infraestrutura conhecida, explicar a atuação da empresa e ajudar os clientes da Pluggy a crescer. Na conversa, Guilherme destaca a importância de apresentar a equipe, a licença e o cuidado com o intercâmbio de informações financeiras de forma compreensível.

Felipe relaciona esse esforço à confiança que chega ao cliente final. Quando o planejador entende quem participa da conexão e consegue explicar o fluxo, a pessoa tem mais condições de compreender o compartilhamento dos próprios dados.

Construção em conjunto e encerramento

47:24–48:56

Bruno e Guilherme convidam os planejadores a compartilhar dúvidas, necessidades e experiências. O retorno de quem atende os clientes ajuda a orientar a construção das ferramentas e a identificar novas possibilidades para a infraestrutura.

Guilherme ressalta o valor do contato direto com a equipe. Felipe encerra propondo uma nova conversa quando a Rica avançar na implementação das transferências inteligentes discutidas no episódio.

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